Sobre outros Rios | Paquetá Island

| Sobre outros Rios

por Ricky Toledano

“PAQUETÁ?!” respondeu o meu amigo, com aquele exagero de desprezo. O bairrismo carioca já é desagradável quando se trata dos lugares conhecidos da cidade pelo reclamão, agora…pior ainda é a infelicidade daqueles que opinam sobre os cantos da cidade sequer conhecidos.

Sim, já sei: a Baía de Guanabara é muito poluída. Não tenho esperanças de vê-la limpa nessa minha vida, já que vários esforços fracassaram, inclusive os de fundos multilaterais e internacionais que desistiram de financiar a limpeza da Baía. Uma Copa do Mundo e umas Olimpíadas da vida tampouco foram impulsos suficientes para sanar as complicações todas da Baía, no passado considerada uma das Maravilhas Naturais do Mundo.

“- Mas, meu caro”, aprontei uma resposta para o meu amigo na medida, já com olhar malandro e punhos na cintura, “você não me parece exatamente um nadador do mar de Ipanema, né? Aliás, jura que você acha as praias oceânicas do Rio limpas? Cara, você sequer vai à praia mesmo!”

Descobri que não é à toa que a Ilha de Paquetá é folclórica. Sim, já sei: ficou parada no tempo enquanto os problemas da cidade avançaram, mas descobri que aquilo pode até ter mais vantagens do que desvantagens, recentemente, na ocasião da mudança de amigos íntimos meus para o balneário.

Confesso que não mergulhei lá. Mas fiquei impressionado com a paisagem. São simplesmente as praias do Rio mais lindas que já vi. Vale muito a pena uma estadia na Ilha para curtir uma noite de silencio total, as ruas vazias de manhã e o nascer e pôr do sol imbatíveis.

Tudo bem, já sei: você talvez prefira ficar com esse teu programa de sempre. Completamente compreensível. Mesmo assim, recomendo muito o belo exercício de deslocar-se do seu circuito – ou até desse seu gosto – e aderir à iniciativa de visitar os lugares da cidade desconhecidos por você. Além de ser parte de uma prática espiritual na qual há a oportunidade de praticar a observação e apreciar aquilo ao redor, rebaixa essa nossa necessidade de ter uma opinião sobre o desconhecido o tempo todo, enquanto apoiamos outras pessoas, outros cariocas.

Para mim, procurar aquele boteco, restaurante ou evento naquele bairro desconhecido não deixa de ser um ato de protesto, deixando uma semente, por pequena que seja, que possa fazer brotar um outro recurso para a cidade, mesmo diante dessa situação de desprezo e medo que está bem na raiz dos muitos problemas que atrapalham a vida carioca nesta encruzilhada em que o Rio de Janeiro se encontra ultimamente.

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Todos os fotos e video por Ricky Toledano

| Paquetá Island

Rio de Janeiro’s Paquetá Island is often described as being lost in the past. I recently discovered that being forgotten can actually have more advantages than disadvantages. The island is part of the history of exploration and colonization of Brazil, as well as part of the folklore of the city that used to spend entire summers frolicking right in the middle of the Guanabara Bay, one of the Natural Wonders of the World…

Whatever than means.

The recent history of the metropolis turned its back to the bay to face outward to the ocean from beaches such as Copacabana and Ipanema, leaving Guanabara Bay to fend for itself against heavy industries and waste from the many municipalities that encircle it.

There have been a few efforts to control the pollution of Guanabara Bay, but – sadly – nothing that would make me swim there. That doesn’t mean the island cannot be enjoyed. It has the most beautiful sunrise and sunset I have ever seen. Bereft of cars and other vices of the city – and with all the splendor of the Bay of Guanabara – Paquetá is one of the most enchanting places I’ve been.

Posted by

A native of Chicago, Ricky Toledano has lived in Rio de Janeiro, Brazil for over twenty years as a writer, translator and teacher. [a]multipicity is multi-lingual collection of reflections through the humanities.

3 thoughts on “Sobre outros Rios | Paquetá Island

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