I moved house and other miracles / Eu mudei de casa e outros milagres

I was in my kitchen of my new home when I heard his distinctive call. Blinking, I immediately turned the tap off. “Impossible!” I thought, “he couldn’t have found me.”

Those close to me know that I have recently moved house, which was a rather traumatic experience, since I gave up living in a house after fifteen years in a historic district of Rio de Janeiro with a privleged view of the city from a savage garden that gave me regular animal visitors –including the birds that ate breakfast with me every morning on the veranda — to change to a city apartment that presented other advantages in a moment  when it was no longer prudent to insist on not changing when circumstances were pushing me into another direction.

Sure, another bird could have easily rested on the window sill, but I know the call of  the especially noisy little yellow Pipsqueak, who had always been the first to arrive in the morning, demanding his banana and fresh water to take a bath. That is why I so quickly stole into the living room to encounter what can only be described by one word and no other: a miracle.

Pipsqueak was standing on the bar table by the window, chirping his sweet curses and staring at me.

I dropped to my knees in shock, tears falling on the floor.

By the time I had ran back to the kitchen to get his banana and water, he had gone. But it was not long before I noticed the banana had been pecked at, and then I heard the whizzing of their wings in the new, smaller water dish. When I looked, there was Mr. and Mrs. Pipsqueak taking a bath, splashing the water everywhere, including onto the floor, mixing with where my tears had fallen in an finale to a month’s stress of abruptly getting rid of the past, shredding much of it into pieces, burning much of it to become a pheonix carrying the boxes of what remained to a new nest.

“Don’t exaggerate, Ricky! It was just a coincidence! It was another bird!” said a skeptical, sour friend, when I told him how Pipsqueak had found me in my new home, even after explaining that not only had Pipsqueak come to my window among thousands, he entered, sat on the bar table next to the window, and went on his usual rant — except that he was staring at me.

Helping him find an explanation since miracle was simply too distasteful, I did offer some clues. Firstly, as the bird flies, I am actually not far at all from my old place, just a bee-line down from the hilltop that might take him a minute when it would take me forty on foot. Secondly, my window must have been located by the same prism that I had also hung in the window, the same he had seen for years, reflecting morning light in every direction once I opened the shutters. Thirdly, not any bird would enter a window, singing like hard rain while remaining in the presence of a potential threat.

It didn’t matter.

I was ready to surrender the past in order to move but the one thing that hurt giving up was Pipsqueak and his gang of thugs. Finding him at my window remains nothing less than a miracle for me, a moment of profound gratitude when I saw once again that there is a part of you that you take with you, wherever you go — especially when, as the Isha Upanishad teaches us, you

“Learn to let go.”

|Om Tat Sat

Eu estava na cozinha da minha nova casa quando ouvi o apito singular. Pisquei, incrédulo, e imediatamente desliguei a torneira da pia. “Impossível!” eu pensei, “ele não pode ter me encontrado aqui”.

Os íntimos já sabem que eu mudei de casa recentemente, o que foi uma experiência bastante traumática, desde que desisti de morar em uma casa depois de quinze anos em um distrito histórico do Rio de Janeiro (com uma visão privilegiada da cidade de um jardim selvagem donde saiu visitas regulares de animais, inclusive as dos pássaros que tomavam café da manhã comigo todos os dias na varanda) para um apartamento normal da cidade, uma mudança que apresentava outras vantagens num momento em que já não foi prudente insistir em não mudar quando as circunstâncias estão te empurrando numa outra direção.

Claro, outro pássaro poderia ter descansado facilmente no peitoril da janela, mas eu conheço bem o apito do pequeno, amarelo e ruidoso Pipsqueak, sempre o primeiro a chegar pela manhã, exigindo sua banana e água doce para tomar banho. É por isso que eu rapidamente corri para a sala para encontrar o que só pode ser descrito por uma palavra e nenhuma outra: um milagre.

Pipsqueak estava de pé na mesa do bar junto à janela, chilreando suas suaves amaldiçoas e olhando para mim.

Eu cai de joelhos, estupefato, minhas lágrimas caindo no chão.

Até correr de volta para providenciar a banana e a agua dos passaros, ele tinha ido embora. Mas não demorou muito para eu ter percebido que a banana tinha sido picada, e então ouvi o assobio de asas no novo pratinho de água deles, embora menor. Quando olhei, havia o Sr. e a Sra. Pipsqueak tomando um banho, espirrando a água para todos os lados, inclusive no chão, onde misturavam-se onde caíram as minhas lágrimas, um final feliz depois de um mês do estresse de se desfazer, abruptamente, do passado, destruindo muito dele em pedaços, queimando muito para se tornar um pheonix para carregar as caixas do que restava para um novo ninho.

“Não exagere, Ricky! Foi apenas uma coincidência! Foi outro pássaro!” disse um amigo céptico, quando eu lhe disse que o Pipsqueak não somente achou a minha casa nova, mas achou a janela certa entre milhares. Entrou por ela. Sentou-se na mesa do bar ao lado da janela e seguiu seu discurso habitual – exceto que ele estava olhando fixamente para mim.

Oferecendo algumas pistas, eu ajudei o meu amigo a encontrar uma explicação, pois ‘milagre’ era simplesmente desagradável para ele: em primeiro lugar, como o pássaro voa, na verdade não estou longe do meu lugar antigo, apenas uma linha reta do topo da colina poderia levá-lo um minuto quando me custaria quarenta a pé; segundo, minha janela deve ter sido localizada pela mesma prisma de cristal que eu também pendurei na janela, o mesmo que ele havia visto há anos, refletindo a luz da manhã em todas as direções ao abrir as persianas. Em terceiro lugar, nenhum pássaro entraria por uma janela, cantando como chuva forte enquanto permanecia na presença de uma ameaça potencial.

Não importava.

Eu estava pronto para render o passado para me mudar de casa, mas a única coisa que doía foi abrir mão ao Pipsqueak e sua gangue de bandidos. Encontrá-lo de novo na minha janela foi nada menos do que a felicidade dum milagre, um momento de profunda gratidão quando vi, uma vez mais, que há uma parte de nós levada para tudo qualquer lugar, independente donde a gente esteja e onde quer que a gente vá – especialmente quando, como ensina a Isha Upanishad, uma pessoa

“Aprenda a deixar ir.”

|Om Tat Sat

Posted by

A native of Chicago, Ricky Toledano has lived in Rio de Janeiro, Brazil for over twenty years as a writer, translator and teacher. [a]multipicity is multi-lingual collection of reflections through the humanities.

One thought on “I moved house and other miracles / Eu mudei de casa e outros milagres

  1. Um milagre mesmo! Eu acredito que era o mesmo! Não existem coincidências…
    Beijo e seja muito feliz em seu novo lar com a natureza ao redor.
    Bel

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